Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
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 Caracterização Molecular de Treponema pallidum em Amostras Clínicas 

 

Responsável: Rita Matos

Data: 2007-2009

Financiamento: Comissão de Fomento de Investigação

Introdução: A sífilis é uma doença infecciosa crónica de transmissão sexual e vertical (no caso de sífilis congénita). A bactéria responsável por esta infecção é a espiroqueta Treponema pallidum. Esta bactéria consegue entrar no organismo através das membranas mucosas do local de infecção. Uma parte dos treponemas ficam no local, mas algumas bactérias entram na circulação sanguínea, provocando uma infecção sistémica algumas horas depois da exposição. A doença pode ter diversas apresentações, consoante o estadio/ tempo da infecção (1): Sífilis secundária: Verifica-se uma erupção cutânea que pode ser mais ou menos intensa (ou até imperceptível) entre 2 semanas a 6 meses depois do contacto. Pode também verificar-se aumento dos gânglios linfáticos, dores de garganta e de cabeça e queda de cabelo. Sífilis latente: Este estado é assintomático e considera-se que durante os primeiros 4 anos ainda é infeccioso. Sífilis terciária: Apresenta lesões crónicas e destrutivas (por exemplo: neurosífilis, sífilis cardiovascular). Sífilis congénita: Infecção neonatal grave. Em Portugal, o número de casos declarados pelo sistema de notificação obrigatória da Direcção Geral de Saúde mostra uma tendência para descer, tanto os casos de sífilis primária (252 casos em 1999 para 147 casos em 2003) como a congénita (46 casos em 1999 para 19 casos em 2003) (2). No entanto, a erradicação que seria desejável, principalmente para a sífilis congénita, está longe de ser uma realidade. Esta doença está espalhada por todo o mundo, estimando-se (WHO) que em 1999 houvessem 12 milhões de novos casos, 7 milhões dos quais na África Sub-Saariana e na América Latina (3). Tal como as outras infecções sexualmente transmissíveis, a sífilis é mais comum em populações pobres com pouco acesso a tratamento ou em casos de múltiplos parceiros sexuais, e em grupos especiais de risco (situações de prostituição, toxicodependência, etc.). Tradicionalmente, o diagnóstico laboratorial é feito por métodos serológicos clássicos. A bactéria não é cultivável, pelo que os únicos métodos de diagnóstico directos são o exame directo em campo escuro de amostras de lesões ou a imunofluorescência directa em esfregaços de lesões. Em 1990 surgiram os primeiros estudos para usar PCR para detectar DNA bacteriano (4). As primeiras referências a tipagem molecular destas bactérias são de 1998 (5). Desde então têm surgido alguns estudos que tentam diferenciar estirpes ou destinguir reinfecções de recidivas utilizando diversos materiais biológicos. A metodogia utilizada basea-se principalmente em 2 métodos de tipagem: no gene arp por análise do nº de repetições do gene e no gene tpr por restrição do produto amplificado com Mse I. Em Portugal não há referências a estudos de tipagem molecular de Treponema pallidum.

Objectivo: Este trabalho tem como objectivo a caracterização molecular de Treponema pallidum.

Resultados esperados: a) Determinar a capacidade de detecção de DNA de Treponema pallidum em soro por PCR em tempo real. b)Caracterizar e agrupar estirpes de Treponema pallidum infectantes no nosso País a partir de DNA bacteriano.


Áreas de projecto : Observação de Saúde

Departamentos: Doenças Infecciosas

Áreas de trabalho: Infecções Sexualmente Transmissíveis